quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A ARTE DA COMÉDIA


Depois de quase dois meses, entre idas e vindas, a Salvador, voltei aos convivas cariocas. E, de imediato, me joguei no teatro para ver o que se passa por aqui. Primeiro, busquei espetáculos que estavam terminando a temporada, mas que diziam-me ser imperdíveis. E lá fui em busca daquela arte que mais amo. Parti para o centro do Rio, Teatro Carlos Gomes, para assistir A Arte da Comédia.

A história da peça é assim: um dono de uma companhia de teatro, que está às voltas com dívidas por conta de seu espaço que pegou fogo, mas só conseguiu salvar o figurino e a vida dos atores, corre perigo de ficar à míngua por falta de palco onde se apresentar, e, assim, ganhar o dinheiro de todo dia. Ele tem uma idéia: pedir ajuda ao Prefeito novo, que poderá salvar sua pele e de toda a sua Companhia. Em lá chegando, tenta de todas as formas fazer com que o Prefeito ceda aos seus apelos, sem sucesso. Mas, recebe uma bênção dos céus: uma listagem com os nomes importantes a quem o novo Prefeito deve procurar para ter as alianças sólidas durante seu mandato. (Qualquer semelhança com o que vemos no legislativo brasileiro, não é mera coincidência). Assim, ele tentará provar ao alcaide que sua arte vale a pena ser investida pois, se conseguir provar que as pessoas que chegarem àquele gabinete são atores de verdade, o Prefeito irá ajudá-lo. Caso contrário, ele está ferrado. Só, que com isto, ele deixa o Prefeito com a pulga atrás da orelha e começa a desconfiar de todos que entram em seu gabinete. Pronto. Furdunço geral.

O texto é do italiano Eduardo De Felippo e a fluente tradução de Macio Aurélio. A linguagem é bastante rica e as piadas inseridas no texto dão a atualidade da trama. Além do quê, falar sobre a arte da interpretação é um prato cheio para divertir o público. É um jogo entre a realidade da política e a realidade do teatro. É um duelo entre aqueles que acreditam que todo ator é um bon vivant versus aqueles que vivem seriamente de sua arte.

Sérgio Módena dirige o espetáculo com mãos de ferro. Quase um balé, de tão coreografado. Sergio consegue tirar do elenco o que cada um tem de melhor no humor. Oferece ferramentas positivas para que cada um, ao seu momento, possa brilhar em cena.

A cenografia de Aurora de Campos é muito bonita e apenas o necessário está no palco, deixando espaços para o elenco mostrar o seu talento. Um cenário simples, mas muito elegante, de bom gosto e perfeito para qualquer palco. Um exemplo! O figurino de Antônio Medeiros são bonitos e harmônicos, assim como a luz sempre bonita de Tomas Ribas.

E é o elenco quem mais se diverte em cena. Alias, um numeroso e talentoso elenco. Erika Ribas, Alexandre Mofati, Celso André são os personagens que estão naquela listagem de pessoas importantes: o padre, o médico, o farmacêutico, a professora. Pessoas que influenciam a opinião de toda a cidade. Os quatro estão bem a vontade em seus papéis, com Celso André arrancando gargalhadas da plateia e Alexandre Mofati deixando todos atônitos e sem piscar com sua presença no palco. Ainda no elenco, Alexandre Pinheiro, Ricardo Souzedo, Teresa Tostes, Poena Vianna, Saulo Segreto e Sérgio Somene.

O trio que encabeça o espetáculo é composto por André Dias, engraçadíssimo, inteligente e seguro como o auxiliar do prefeito; Ricardo Blat interpretando o dono da companhia teatral, também muito seguro do texto e do seu amor à arte; e Thelmo Fernandes, numa de suas melhores atuações em teatro, fazendo juz à indicação ao Premio Shell.


Tomara que a peça volte logo aos palcos cariocas. Ainda tem muita estrada pela frente. É realmente uma homenagem ao teatro, um espetáculo rico no texto e em interpretações. Voltar ao Rio de Janeiro e ser abençoado com esta peça, não tem preço! Aplausos de pé.

Fotos de Paula Kossatz

domingo, 14 de julho de 2013

NÃO PERCA!

Produzir peças de teatro é uma das minhas grandes paixões. Ao lado, claro, de assistir Teatro. Tanto que criei este espaço para comentar sobre as peças que assisto. E fazer com que você, que lê, se anime em ir para a platéia e ver uma peça. Sou um apaixonado pela arte. 


Como agora o dever me chama, vou viajar por um mês, produzindo uma peça de teatro em Salvador, um infantil, adaptação de um livro de Mabel Velloso, filha de Dona Canô. Por isso, ficarei longe dos palcos cariocas, mas, se eu fosse você, não perderia as seguintes peças:


MARAVILHOSO - direção de Inez Viana, em cartaz no Gláucio Gil.

 
O DIA EM QUE RAPTARAM O PAPA - só o título vale a ida. Estreou no Teatro Clara Nunes.
















FORROBODÓ - Flavio Bauraqui no elenco, numa comédia musical datada de 1912. História carioca na veia.


A FALECIDA - Nelson Rodrigues com direção de Moacyr Góis. Sempre uma aula de teatro.


CINE MONSTRO - Enrique Dias e todo o seu talento, no Oi Futuro do Flamengo



E FORAM (QUASE) FELIZES PARA SEMPRE - Heloisa Perissé no Teatro dos Quatro




















RANDEVU DO AVESSO - Um grande e talentoso elenco no Teatro Café Pequeno

UM DIA QUALQUER - mais um texto de Julia Spadaccini, o que já vale ir ao teatro, está no SESC Copacabana.














Então, ficamos combinados assim. Com essas dicas, ninguém vai sentir falta dos meus escritos. Corra para o teatro! Até a volta!

domingo, 7 de julho de 2013

Prêmio Cesgranrio de Teatro

Indicados do 1º semestre de 2013 -  do site da Cesgranrio

Jurados:  Bárbara Heliodora, Carolina Virguez, Daniel Schenker, Lionel Fischer, Macksen Luiz,  irna Rubim e Tânia Brandão


Melhor Direção:
Charles Möeller ("Como vencer na vida sem fazer força")
Sergio Módena ("A arte da comédia")
Walter Lima Jr. ("Répétition")
 
Melhor Ator:
Thelmo Fernandes ("A arte da comédia")
Ricardo Blat ("A arte da comédia")
 
Melhor Atriz:
Ana Kfouri ("Moi Lui")
Camila Amado ("Um lugar escuro")
Clarice Derzié Luz ("À beira do abismo me cresceram asas")
 
Melhor Espetáculo:
"A arte da comédia"
"Como vencer na vida sem fazer força"
"Moi Lui"
 
Melhor Cenografia:
Bia Junqueira ("As mulheres de Grey Gardens")
Rogério Falcão ("Como vencer na vida sem fazer força")
Rui Cortez ("Moi Lui")
 
Melhor Iluminação:
Tomás Ribas  ("Moi Lui")
Renato Machado ("Vestido de noiva")
Luiz Paulo Nenen  ("As mulheres de Grey Gardens")
 
Melhor Figurino:
Marcelo Pies  ("Como vencer na vida sem fazer força")
Rita Murtinho ("Emily")
Tanara Schornardie ("Rock in Rio")
 
Melhor Texto Nacional Inédito:
Julia Spadaccini ("Aos domingos")
Rodrigo Nogueira ("O teatro é uma mulher")
 
Categoria Especial:
José Dias pelo lançamento do livro "Teatros do Rio"
Lídia Kosovski pela curadoria da exposição "A mão livre" em homenagem a Luis Carlos Ripper

Melhor Direção Musical:
Délia Fischer ("Rock in Rio")
João Bittencourt ("Na bagunça do teu coração")
Paulo Nogueira ("Como vencer na vida sem fazer força")
 
Melhor Ator em Musical:
André Loddi ("Como vencer na vida sem fazer força")
Gregório Duvivier ("Como vencer na vida sem fazer força")
Icaro Silva ("Rock in Rio")
 
Melhor Atriz em Musical:

Adriana Garambone ("Como vencer na vida sem fazer força")
Lucinha Lins ("Rock in Rio")
Suely Franco ("As mulheres de Grey Gardens")

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Prêmio Shell 2013 - indicados primeiro semestre

O Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro divulgou os espetáculos indicados no primeiro semestre em nove categorias. Eles concorrerão com as indicações do segundo semestre, que serão divulgadas no final do ano. Os vencedores serão anunciados de 2014. Aos indicados, parabéns!!!

Autor 
Julia Spadaccini por "Aos Domingos" 

Direção 
Isabel Cavalcanti por "Moi Lui" 
Rodrigo Portella por "Uma História Oficial" 

Ator 
Ricardo Blat por "A Arte da Comédia" 
Thelmo Fernandes por "A Arte da Comédia" 

Atriz 
Camilla Amado por "O Lugar Escuro" 
Suely Franco por "As Mulheres de Grey Gardens - o Musical" 

Cenário 
André Sanches por "Vestido de Noiva" 
Rogério Falcão por "Como Vencer na Vida sem Fazer Força" 

Figurino 
Antônio Guedes por "O Médico e o Monstro" 
Marcelo Pies por "Como Vencer na Vida sem Fazer Força" 

Iluminação 
Renato Machado por "Vestido de Noiva" 
Tomás Ribas por "Moi Lui" 

Música 
Gabriel Moura por "Cabaré Dulcina" 
Rodrigo Penna por "Edukators" 

Categoria Inovação 
Marcus Vinícius Faustini pelo conceito e proposta do "Festival Home Theatre"