Alguns artistas nem sabem o quanto de fãs e seguidores anônimos possuem.
Sou um desses anônimos. Bem... a partir de agora não serei mais... A primeira vez que a vi foi em “Company”, no Teatro Villa Lobos. Lembro
que na época este foi considerado um marco. A partir daquele espetáculo deu-se
a invasão americana do musical aos palcos cariocas. Claro que outros já haviam sido
feitos anteriormente, mas foi ali que começamos a conhecer o que a Broadway
tinha a dizer, só que com sotaque brasileiro.
Ela estava no palco. Fiquei hipnotizado.
Torcia para que o próximo numero musical fosse apenas com ela. E quando sim, eu
vibrava. Depois pesquisei quem era e soube que no musical “Somos irmãs”,
contanto a vida das irmãs cantoras Linda e Dircinha Batista, ela estivera
presente no palco, mas eu ausente na plateia. Perdi. Daí em diante, quando era
possível vê-la no palco, lá ia eu correndo! Lembro muito da japonesa de “Avenida
Q” e de “Judy Garland”, para citar os mais recentes.
Quando conheci João Máximo, em um projeto sobre cinema no
CCBB, almoçamos no Largo do Machado e o assunto foi Musical de Teatro. Falamos
de todos os que gostamos e desgostamos, até que chegamos na história de Claudio
Botelho e ela, quando montaram o musical brasileiro, “Na Bagunça do seu Coração”.
João Máximo sugeriu a história e o roteiro e ambos embarcaram. Mas bem antes
disso, em “Hello Gershwin”, a dupla
esteve no palco do Teatro Ipanema e, só assistindo ao espetáculo em cartaz no
Teatro Net Rio, “Mulheres de Musical”, soube que havia no máximo 12 pessoas na plateia.
Isso em 1991. Isso porque eu não a conhecia, se não seriam 13.
Paulo Afonso de Lima é um mestre.
Sabe tudo de teatro, de comédia, de musical. Paulo Afonso indica soluções,
acerta na ordem das musicas, no momento de alegria e tristeza, nas piadas com
as atrizes que fazem audições de teste, utiliza todo o palco com uma
movimentação segura e correta. Não é à toa que Bibi Ferreira confia nele
plenamente. Claudio Botelho e Charles Möeller são discípulos de Paulo Afonso.
Quer maior aval do que este? Tive imenso prazer em trabalhar com Paulo Afonso
em dois projetos, que, confesso, não estavam à altura de seu talento, mas ele
encarou como se fossem a melhor montagem do mundo. Obrigado Paulo.

O figurino de Marcelo Marques é lindo. Elegante e de bom
gosto (como sempre), fez com que Cláudia Netto, em dia de estreia, comentasse
que “ele me deixou como uma princesa”. A luz de Paulo Cesar Medeiros apoia o
espetáculo com sombras e cores que fazem do espetáculo a festa necessária.
Arranjos de Marcelo Farias e músicos (Marcio Romano, Omar Cavalheiro, Watson
Farias e Marcelo Farias) em cena estão afinadíssimos com o diretor e,
principalmente, com Claudia Netto. Não podemos esquecer o simples e funcional
cenário de Beto Carramanhos que também assina o visagismo e assistência de
direção.
Eu adoro musicais. Basta estrear e lá estou na plateia. Em recente
estreia de outro musical, no Shopping da Gávea, Claudia Netto sentou-se ao meu
lado. Fiquei naquela de “falo, ou não falo com ela?”, “digo que sou fã
e que vejo tudo que ela faz, ou fico calado para não incomodar?”. Não falei
nada. Mas ao longo daquele espetáculo observei de rabo de olho seus gestuais e vi
a sua vontade de subir ao palco para defender certas canções. Na saída, um
simples “tchau” com sorriso e fui embora sem dizer o quanto sou fã.
Quando fui convidado para estreia de "Mulheres de Musical", fiquei feliz e
emocionado. Pensei que desta vez eu venceria a timidez e chegaria perto
oficialmente. Além de dar os parabéns pelo aniversário, eu diria “sou seu fão”
(como costumo brincar). Atrás de mim, durante toda a récita, Rogéria obrigava
aos amigos em volta a gritarem palavras de pura emoção que ela não conseguia
pronunciar por causa da rouquidão. Até eu gritei!

Recomendo que assistam ao espetáculo, em cartaz quartas e quintas
no Theatro Net Rio (A Casa dos Sucessos, com já chamo o local), para
parabenizarem Claudia Netto por mais um excelente trabalho, onde toda sua
carreira nos é presenteada. Para os fãs, espetáculo obrigatório. Para os
amantes dos musicais, espetáculo necessário. Para os viciados em teatro, um
momento de grande alegria e prazer.