Mostrando postagens com marcador Hiperativo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hiperativo. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de fevereiro de 2010

HIPERATIVO

Atualmente no O Globo está um bate-papo (ou seria um debate?) sobre os "Stand Up Comedy" que vêm alegrando as platéias do Brasil. A discussão é sobre a dramaturgia X "histórias engraçadas do dia a dia". Até que ponto essas histórias, contadas para o público com bastante ironia, humor e agilidade têm posto de lado a dramaturgia brasileira, principalmente a carioca? Acho engraçado quando alguem me diz "Não tenho opinião formada sobre o assunto, mas..." pronto, já vai emitir a opinião. Pois eu tenho a minha. Acredito que o CQC tenha ajudado, e muito, a levantar esta bola para o debate. No Rio nós já somos brindados com o espetáculo "Comédia em pé" que vem trazendo o excelente humor do stand up para os palcos ja faz uns bons 5 anos. E desde então, era o único espetáculo do gênero. Depois veio a galera do CQC em cadeia nacional e tudo virou febre. Danilo Gentili, Rafinha Bastos e CIA vêm lotando palcos brasileiros com um stand up por mês em cada cidade do inteiror do Brasil.

Mas em "priscas eras" (adoro isso!) ja vi espetáculos de Jô Soares, Chico Anysio, Tom Cavalcate entre outros, que eram conhecidos por "Show de Humor". Ora, isso já era um stand up, mas como nome já abrasileirado! Então, por que a discussão agora sobre isso? Porque estamos infestados desses shows de humor, não pode ser resposta nem muito menos porque a dramaturgia brasileira não está boa, também não. Talvez seja o choro dos descontentes com o numero de pagantes em suas platéias. Defendo que é importantissimo para o humor a existência dos shows e dos stand up's, seja lá como vc queira chamar esses espetáculos. E isso é teatro. Falar por uma hora seguida, "metralhadoramente" fazendo o povo rir, interpretando "o papel do ator que está se expondo para o publico", é teatro. Pensa que tudo que é dito foi tirado da cartola naquele momento? Negativo, é 90% texto. Certamente esses shows são responsáveis pelo aumento do número de jovens e de jovens adultos nas platéias das peças ditas "convencionais". com dramaturgia, cenários, figurinos e iluminação caprichada, que estão recebendo uma parcela nova de pessoas descobrindo o teatro graças aos shows de humor. Sabe o que é, o povo que consome teatro é o mesmo há anos! Se existem 100mil espectadores de teatro no Rio, são esses os que circulam entra as platéias. Precisamos é dar novidades para que as pessoas conheçam os teatros, se interessem em ir às salas de espetáculo ver outras peças que não sejam os shows de humor e, podem crer, os 5 dramaturgos indicados ao Prêmio Shell são autores de comédias. O que nos falta é um incentivo a ida do publico ao teatro. Com isto, cetramente nosso publico vai aumentar e vamos precisar, cada vez menos, de renuncias fiscais para produzimos, trabalharmos. Lembro que quando estive em cartaz no Shopping da Gávea, e alguma peça na sala ao lado lotava, nós pegávamos a rebarba e nossa sala também lotava. É isso o que vem acontecendo. O stand up comedy ou show de humor, me trouxe a esperança de ver novas platéias no teatro brasileiro.

Assisti à peça Hiperativo, em cartaz no Teatro Leblon, de quinta a domingo, escrita por Paulo Gustavo, o grande ator de "Minha mãe é uma peça", e encenada por ele. Durante uma hora, ele nos metralha com hilariantes histórias sobe "a vida nossa de cada dia" vista pelos olhos dele. E o mais legal é que um tema se encaixa no outro sem ele precisar "mudar o assunto". Sabe quando vc está num bar com amigos e começa falando do chopp e termina, as gargalhadas, falando de pum e cocô? Pois é isso que acontece.

Destaco ainda a criativa paródia com o show da Madonna logo no inicio da peça! Paulo Gustavo entra em cena igualzinho a "ela" no show que vimos no Maracanã em 2008. E, assim com "ela", ele fica com a platéia nas mãos. Determinando a hora que temos que rir e, o melhor, parar de rir, para ele continuar a nos fazer rir. Desde "Minha mãe é uma peça" que eu não sinto dor na barriga de tanto rir. Quase pedi para ele "dar um tempo" pra gente se recompor e continuar a rir. Tem de tudo: avião, mãe, pum, falar inglês errado, todos os ingredientes que faz a platéia rir até não poder mais.

Compondo a ficha técnica, a direção do Fernando Caruso, expert em stand up, pois está há anos com a peça Z.É., o cenário (sim, amigos, cenário!) da mesma cenógrafa inteligente que fez o de "Minha mãe é uma peça" e o figurino do Nello Marrese, tudo deixando Paulo Gustavo seguro para se divertir no palco e deixar a sua platéia, sua claque (e eu me incluo nisso) à vontade para rir até o maxilar doer.

Como diria Moacyr Góes, em recente artigo ao O Globo, "Quem tem medo do Paulo Gustavo?" Eu tenho medo de um dia assistir a algum trabalho dele e morrer, literalmente, de rir, enfartado, com o coração explodido de felicidade e gargalhada. Me mata, me mata, mas não me deixa parar de rir!!!

Parabéns, amigo, vc está brilhante, como sempre. Vou de novo em breve com uma van!

IMPERDIVEL!!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Hiperativo



FONTE: O GLOBO

Após quatro anos em cartaz com uma peça vista por mais de 500 mil pessoas, você imagina que ela já passou, pelo menos, pelas capitais do país. Mas Paulo Gustavo está há quatro anos e um público desses com "Minha mãe é uma peça" só no Rio.

- Não me deixam sair daqui! - brinca ele. - O público não para de aparecer, então não sai de cartaz. E quem já viu sempre me pergunta: "Quando vai vir seu próximo espetáculo?".

Neste sábado. É quando o ator que conseguiu o feito de se tornar popular sem nunca ter posto a cara na TV estreia "Hiperativo" (confira a programação), na Sala Fernanda Montenegro do Teatro do Leblon, com direção de Fernando Caruso. Em cena, haverá só Gustavo, que, hiperativo, vai fazer a nova montagem sem parar de apresentar "Minha mãe é uma peça".

"Hiperativo" é uma stand-up comedy, mas o ator não a vê como uma adesão sua à onda atual de stand-ups no Rio:

- Faço stand-up desde que nasci. Agora, só estou levando meu cotidiano ao palco - diz ele, que na primeira experiência em cinema, em "Divã", roubou a cena com só duas aparições, como o cabeleireiro René, tanto que essas duas únicas cenas foram para o trailer do longa.

De fato, é de cotidiano que o humor de Paulo Gustavo é feito. Não só porque as histórias que conta vêm da sua capacidade de observar as pessoas e a vida que o cercam, mas também porque o modo como ele as conta é mais engraçado quanto mais comezinho parece.

- Sou totalmente contra o riso pelo riso. Não gosto de comédia escrachada demais, nem de piada. Tem gente que é engraçadinho no bar e acha que, por isso, sabe fazer comédia. O humor vem, para mim, nas cenas do dia a dia. E, no palco, também procuro isso: descrevo, de modo sério, situações do cotidiano, e as pessoas riem - diz o niteroiense, de 31 anos de idade e seis de teatro profissional, filho de funcionários públicos e de uma família "de muito carinho e muita porrada".

A nova peça de Paulo Gustavo tem cinco blocos. No primeiro, ele fala das confusões por que já passou por não falar inglês direito. Numa, por exemplo, ele e a atriz Ingrid Guimarães, amigos, tentaram explicar numa loja em Nova York que eles só queriam comprar um edredom.

O segundo bloco mostra o ator discutindo seu complexo de patinho feio.

- Sempre achei que não sou bonito, ou que, por ser engraçado, chamo atenção mais pelo humor que pela beleza. Na peça, pergunto à plateia: "Tenho olho verde. Vocês estão vendo? Não, né? Viu, tô na merda". Na noite, do lado de um sarado de cabelo espetado, pareço um garçom - conta Paulo Gustavo, que no terceiro bloco demonstra a teoria de que ele é "para-raios de maluco". - Os malucos se reconhecem. Vêm atrás de mim tanto o agitado que nem eu quanto o maluco mudo, que gosta de mim porque falo por nós dois.

O quarto bloco é uma reunião de histórias sobre mãe que o ator tinha mas não incluiu em "Minha mãe é uma peça". E o quinto traz Paulo Gustavo exorcizando seu medo de avião:

- Só não dá tanto medo se vejo que tem artista importante, porque aí não cai. Uma vez, estava o Miguel Falabella. Deu uma garantida no voo. Numa outra, encontrei no avião a Fernanda Montenegro e pensei: "Nesse posso até pular".