sábado, 22 de dezembro de 2012

ESTREIAS EM 2013


Anunciaram mas não garantiram que o mundo ia se acabar. Mas daí a acreditar que alguém, ou alguma energia cósmica, tenha mandado uma mensagem para um Maia da vida sugerindo que escrevesse “O fim chegará dia 21/12/2012. Anote para a posteridade” vai além da minha imaginação.

Enquanto esperavam o fim do mundo, mas com fé na vida e pé na tábua, produtores de teatro, atores, técnicos e assessores de imprensa estiveram às voltas com novos espetáculos para estrear nos palcos cariocas. E, somado a isto, as peças que continuam em cartaz para quem perdeu a oportunidade em 2012.  Abaixo um pouco do que vem por aí.

Inaugurando a Cidade das Artes (antiga Cidade da Música, antiga Cidade Roberto Marinho, antigo Cebolão... Será que agora aquilo fica pronto para uso? Tenho minhas dúvidas.  Mas com acredito em Papai Noel, gostaria que este fosse o presente para o Rio em 2013.)“Rock’n Rio, o Musical” com direção de João Fonseca e texto de Rodrigo Nogueira abre a nova casa de espetáculos do Rio.




Claudio Botelho e Charles Möeller são os responsáveis pela volta de Luiz Fernando Guimarães aos palcos, com Gregório Duvivier, no musical “Como Vencer na Vida, sem Fazer Força”. A dupla também estará à frente do musical “Orfeu”, na Broadway, levando seus talentos para os palcos americanos. A torcida para que os dois sejam aclamados pela crítica local já começou! Ainda este ano podemos esperar da dupla "Kiss me Kate" com músicas de Cole Porter.

Depois de viver Cauby Peixoto e atuar em Gaiola das Loucas, Diogo Vilela volta aos palcos cariocas para homenagear outro ícone da nossa música. “Ary Barroso - Do princípio ao Fim” estreia no Carlos Gomes na segunda quinzena de janeiro.

 

Mariza Orth e Daniel Boaventura se apresentam no Vivo Rio com “A Familia Addams” por apenas 3 finais de semana! Vi em São Paulo e recomendo. Bastante divertido e de excelente qualidade. Impossível não esperar pela musiquinha de estalar os dedos!


Dentre as comédias, temos "Atreva-se” com direção de Jô Soares estreia no Teatro Leblon. No elenco Marcos Veras, Julia Rabelo, Mariana Santos e Carol Martin atuam em  em quatro sequências de mistério e humor, tudo inspirado na atmosfera do cinema noir. Marcelo Serrado estreia seu monólogo contanto fatos do cotidiano, acontecimentos pessoais e observações particulares sobre a vida  em “Tudo é tudo, e nada é nada” no Teatro Leblon.  “Repetition” com direção de Walter Lima Jr estreando no Espaço Sesc em Copacabana. 



 

No Sergio Porto estreia a peça “Um Plano para Dois”, com Nina Morena e Gabriel Pardal numa  visão bem humorada da relação entre um homem e uma mulher que constroem uma história de amor  numa situação inusitada ou inesperada. Com produção de Fernando Libonati estreia dia 10 de janeiro no Café Pequeno a peça “O Médico e o Monstro” com Débora Lamm no elenco, vencedora como melhor atriz do Prêmio Fita de Teatro de 2012 .

Comemorando os 55 anos de carreira da atriz Miriam Mehler, que interpreta mais de 5 personagens, estreia no teatro Laura Alvim o monólogo “Oscar e a Sra Rosa”, com direção de Tadeu Aguiar. Vem coisa boa por aí!

Depois de uma temporada de sucessos em Salvador, o espetáculo “O Casaco” faz duas apresentações no Espaço Rampa (que não é o local das festas Boho e Virada, dentro do Clube Guanabara), que fica em Copacabana.


  

Na parte das reestreias musicais, “Milton Nascimento - Nada Será Como Antes - O Musical" irá para o Teatro Clara Nunes e depois vai para SP. “Alô Dolly” segue temporada no Oi Casagrande. Para toda a família, “Pinoccio - o musical” reestreia no Teatro Grande Atores. Uma peça que merece ser assistida pelas crianças pois traz a boa e velha mensagem de que a mentira tem perna curta. E o nariz cresce! E segue temporada o musical “Shrek, o Musical” com Rodrigo Sant’Anna. Este reestreia o seu “Comício Gargalhada” no Theatro Net Rio, que também abriga “Tim Maia - Vale Tudo”, com Thiago Abravanel no papel do síndico, durante o mês de janeiro.

A peça “As Paparutas” reestreia agora no Oi Futuro de Ipanema. Inspirado na festa popular das “Paparutas”, onde os personagens encontram-se para dançar e cantar com pratos típicos da região, como o vatapá, o caruru, a galinha cozida e o mugunzá! É para dar água na boca!


Para quem ainda não viu, e para quem quer voltar a rir, Paulo Gustavo estará em cartaz em curtíssima temporada com “Minha Mãe é uma Peça” e “Hiperativo” que prometem lotar o Oi Casagrande. “Todo mundo tem problemas sexuais” poderá ser assistida no Teatro dos Grandes Atores. Este clássico de Domingos Oliveira tem direção do Fernando Gomes. “O Cara” é um dos espetáculos mais marcantes de 2012, com o grande Paulo Mathias Jr que reestreia agora no Teatro dos Quatro. Assisti ao espetáculo e é uma comédia incrível que merece ser vista por todos. Não percam também “Jacinta” com Andrea Beltrão excelente em cena no Teatro Poeira, contanto a história da pior atriz portuguesa de todos os tempos.


O clássico "Édipo Rei", de Sófocles, reestreia dia 11 de janeiro no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário. Gustavo Gasparani, indicado ao prêmio Shell de melhor ator de 2012 divide o palco com Eliane Giardini, Rogério Fróes, Amir Haddad, Cesar Augusto e outros atores. Para quem nunca assistiu a um clássico do teatro mundial é uma excelente oportunidade.



E você que gosta de música francesa, não pode perder "Nós Sempre Teremos Paris", com Françoise Forton e Luiz Nicolau. Assisti ao espetáculo este ano e foi um dos mais bonitos e simpáticos da temporada. No Teatro das Artes, de quinta a sábado às 19h.




E lá em Santa Tereza, no Parque das Ruínas, “Matador” reestreia dia 11 de janeiro, com Daniel Dias da Silva e Gustavo Falcão no elenco e direção de Susana Garcia e Herson Capri.

Certamente muitos outros espetáculos que não estão acima irão entrar em cartaz neste início de ano e outros tantos estreados em 2012 permanecerão nos palcos cariocas por um bom tempo. Aos interessados em outras informações, basta ficar de olho nos jornais e procurar a peça que mais te agrade. Eu já escolhi as minhas. Já pode ir pra fila comprar ingresso?

Desejo a todos uma Noite Feliz no Natal e que em 2013 tenhamos pelo menos um dos nossos sonhos realizados. Feliz ano novo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Prêmio Shell - indicados 2012


Autor
Carla Faour por “Obsessão”
Julia Spadaccini “Quebra-Ossos”
Maurício Arruda Mendonça e Paulo Moraes por “A marca da água”
Pedro Kosovski por “Cara de cavalo”

Direção
Henrique Tavares por “Obsessão”
Moacir Chaves por “Negra felicidade”
Felipe Hirsch por “O livro de itens do paciente Estevão”
Marcio Abreu por “Esta criança”

Ator
Gustavo Gasparani por “As mimosas da Praça Tiradentes”
Tonico Pereira por “A volta ao lar”
Bruce Gomlevsky por “O homem travesseiro”
Leonardo Medeiros por “O livro de itens do paciente Estevão”

Atriz
Drica Moraes por “A primeira vista”
Kelzy Ecard por “Breu”
Patricia Selonk por “A marca da água”
Renata Sorrah por “Esta criança”
Simone Spoladore por “Depois da queda”

Cenário
Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Ismael Monticelli por “Nada”
Doris Rollemberg por “Querida Helena Sergueievna”
Vandré Silveira por “Farnese de saudade”
Fernando Marés por “Esta criança”
Paulo de Moraes por “A marca da água”

Figurino
Flavio Souza por “Os mamutes”
Samuel Abrantes por “O auto da compadecida”
Kika Lopes por “Gonzagão — A lenda”
Teca Fichinski por “Valsa nº6”

Iluminação
Adriana Ortiz por “Adeus a carne ou go to Brazil”
Maneco Quinderé por “A primeira vista”
Luiz Paulo Nenen e Thiago Mantovani por “O homem travesseiro”
Nadja Naira por “Esta criança”

Música
Domenico Lancellotti por “Modéstia”
Lucas Macier e Fabiano Krieger por “Adeus a carne ou go to Brazil”
Alexandre Elias por “Gonzagão — A lenda”
Felipe Storino por “Esta criança”

Categoria Especial
Beto Carramanhos pelo visagismo dos espetáculos “As mimosas da praça Tiradentes” e “O mágico de Oz”
Frederico Reder pela reforma e reabertura do teatro Tereza Rachel, atual Teatro Net Rio
Grupo Alfândega 88 pela ocupação do teatro Serrador
Projeto Complexo Duplo pela política de ocupação artística do teatro Glaucio Gil

sábado, 15 de dezembro de 2012

INDICADOS PRÊMIO ZILKA SALABERRY


PRÊMIO ZILKA SALLABERRY DE TEATRO INFANTIL 
LISTA DE INDICADOS -  7ª EDIÇÃO

Por ter sido um ano atípico, com um número maior de espetáculos indicados, nada mais justo que a coordenação do Prêmio, com o aval do Oi Futuro (seu apoiador), passasse a ter cinco indicações para cada uma das 11 categorias, em vez das quatro das edições anteriores. Neste ano foi criada mais uma categoria: produção, que, sem sombra de duvidas, estimula  os profissionais que dão vida ao espetáculo.

Cerca de 130 trabalhos foram pré-indicados, quase cem peças assistidas pelo júri (Carlos Augusto Nazareth, Lidia Kosovski, Lucia Cerrone e Tim Rescala). O espetáculo que teve mais indicações foi “As Três Marias” com nove categorias. “A Borralheira” teve sete indicações assim como “Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’, inspirado no texto de Julio Verne. 

"Esperamos continuar crescendo em qualidade e teremos, com certeza, o avanço das atividades do Prêmio, que não se restringirá somente às premiações. Queremos complementar o trabalho árduo do corpo de jurados, em consonância com a política cultural da Oi”, diz Carlos Augusto Nazareth, organizador do prêmio. Ele ainda revela uma novidade para o próximo ano: “dentre outros planos, ainda cedo para serem revelados, será criado um júri infantil para escolher o melhor espetáculo a partir da visão da criança”.

Aos indicados, PARABÉNS!

CENÁRIO
‘A Borralheira’ - Glauco Bernadi
‘Histórias de Jilu’ - Ricardo Martins
‘A Menina e o Vento’ - Ronald Teixeira
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’ - Carlos Alberto Nunes
‘As três Marias’ - Gabriele Naegele

FIGURINO
‘A Borralheira’ - Heloisa Frederico
‘Cabeça de Vento’ - Daniele Geammal
‘Histórias de Jilu’ - Daniele Geammal
‘As Três Marias’ - Leonam Thurler
‘Paparutas’ -  Ronald Teixeira

TEXTO
‘As Três Marias’ - Gabriel Naegele
‘Pinnochio em As Aventuras de Lasanha e Ravioli’ - Mônica Biel
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’  - adaptação de Fátima Valença
‘Coisas que a gente não vê’ - Renata Mizrahi
‘Uma peça como eu gosto’ - Marcelo Morato

ATOR

‘Cabeça de Vento’ - Jan Macedo
‘A Menina e o Vento’ - André Mattos
‘Uma história de Amor’ - Raphael Logan
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’ - Mouhamed Harfouch
‘As três Marias’ - Leonam Thurler

ATRIZ
‘História de Jilu’- Ana Carbatti
‘As Três Marias’ - Denise Peixoto
‘Coisas que a gente não vê’ - Débora Lamm
‘A estranha viagem de Maria Cecília’ - Stella Brajterman
‘Uma peça como eu gosto’ - Viviane Neto e Laura Teles

ILUMINAÇÃO
‘A Borralheira’ - Aurélio de Simoni
‘O Menino que teve um sonho’ - Renato Machado
‘A Menina e o Vento’ - Jorginho de Carvalho
‘A estranha viagem de Maria Cecília’ - Anderson Rato
‘Uma peça como eu gosto’ - Renato Machado

MÚSICA
‘A Borralheira’ - Vladimir Pinheiro (direção musical)
‘Manuel Bandeira Estrela da Vida Inteira’ - David Tygel - direção musical e arranjos/Cristiano Motta e Pedro Motta - música originais
‘As três Marias’ - Aline Peixoto e Denise Peixoto (Direção Musical)
‘Histórias de Alexandre’ - Rudá Brausn – direção musical e trilha sonora
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’  - Marcelo Alonso Neves (música original)

DIREÇÃO
‘As Três Marias’ - Garbiel Naegele e Maria Vidal
‘A Borralheira’ - Fabiana de Mello e Souza
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’ - Antônio Carlos Bernardes
‘Coisas que a gente não vê’ - Joana Lebreiro
‘Uma peça como eu gosto’ - Duda Maia e Lucio Mauro Filho

PRODUÇÃO
‘A Menina e o Vento’
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’
‘As Três Marias’
‘A Borralheira’
‘Cabeça de Vento’

MELHOR ESPETÁCULO
‘A Borralheira’
‘A Menina e o Vento’
‘As Três Marias’
‘Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas’
‘Uma peça como eu gosto’

PRÊMIO ESPECIAL - Ana Barroso e Mônica Biel pelo trabalho ininterrupto com os personagens Lasanha e Ravioli no reconto dos contos tradicionais.

MENÇAO HONROSA - A estranha viagem de Maria Cecília pelo processo de construção do espetáculo, envolvidos todos os segmentos, num só todo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

JACINTA


 A primeira vez que estive em Portugal foi em 2009. Em 2011 repeti a dose. Só quem lá esteve sente a emoção de tudo que aprendemos na escola, nas aulas de História, desde que “fomos descobertos”. Tive o prazer de ser guiado pela minha grande amiga Nãna Pirez, portuguesa, com certeza, uma das mulheres mais importantes desta minha primeira metade de vida. Depois, com meus amigos portugueses do Clube da Letra tive o prazer de saber mais histórias daquele país que passei a amar. Recomendo ainda que leiam o livro “O Português que nos Pariu”, de Ângela Dutra de Menezes para que saibam um pouco mais sobre a nossa pátria mãe.

É com grande prazer que “cá estou-me” para minhas observações sobre “Jacinta”, em cartaz no Teatro Poeira. A peça conta a saga fictícia da pior atriz da história de Portugal. Como bem diz o programa da peça “Jacinta é uma declaração de amor ao teatro”. E é mesmo.Jacinta busca o aplauso, o reconhecimento pelo seu esforço para ser considerada uma boa atriz. É disto que vivem os atores: do reconhecimento do seu trabalho através do aplauso do publico. E todo trabalho em teatro deve ser considerado e avaliado com lisura e respeito, mesmo não tendo a peça tocado a plateia. Em todo trabalho de teatro tem uma equipe que arduamente dedicou seu tempo, tem os atores que acreditaram na história, um condutor-diretor que sugere caminhos. Jacinta busca o seu. Expulsa da matriz, vem se abrigar na filial Brasil. Percorre o país de leste a oeste, norte a sul levando arte e cultura a quem nunca viu e precisa conhecer o teatro. Mesmo não sendo reconhecida, Jacinta não desiste. Assim somos nós, profissionais do teatro.

O texto do sempre criativo Nilton Moreno é um presente para qualquer ator. Piadas inteligentes, textos de bom gosto, frases lapidadas, desfecho perfeito. Acompanho Moreno desde “As Centenárias”. Me diverti com “Maria do Caritó”. E agora me emocionei com “Jacinta”. Texto ágil, moderno, culto, fácil de entendimento, que dá ao elenco e direção a oportunidade de brincarem e mostrarem todos os seus talentos em cena.

Na parte técnica, Fernando Mello da Costa criou um cenário que valoriza as trocas de figurino, com dois camarins laterais, servindo de apoio para as composições. Em cena, objetos apenas necessários e muito bem escolhidos. Os figurinos de Antônio Medeiros são um caso de amor à arte. Sem duvida um dos mais belos já vistos em cartaz nesta temporada, digno de prêmio. Maneco Quinderé assina a luz sempre de bom gosto e inteligente. Auxiliando a direção, as coreografias de João Saldanha e Marcelo Braga dão um colorido mais que especial aos números musicais e às cenas. Belo trabalho do conjunto.

Por ser uma comédia-rock, Branco Mello e Emerson Villani criaram musicas junto com o diretor e o autor, dando continuidade às cenas nos números musicais. Um grande acerto. Partes do texto tranquilamente podem ser transformadas em música de excelente qualidade e assim o quarteto faz. Tem fado, rock, vira, samba. Tudo para compor este espetáculo eletrizante.

Na direção, Aderbal Freire-Filho é um mestre nesta arte. Com o auxilio de seus fiéis escudeiros (os atores e a equipe), criou um espetáculo intenso, divertido, moderno, ágil e de uma direção das mais rígidas e corretas dos últimos tempos. Destaco as ótimas cenas em que os personagens, num navio, simulam o balançar das águas, os trejeitos de Jacinta, as composições dos atores, a ótima cena em que Jacinta aprende a recitar Hamlet. Aderbal sabe fazer um espetáculo de qualidade em que não basta agradar somente ao publico, ele sabe agradar ao elenco que está em cena, e a si mesmo, brincando com uma realidade possível. Aplausos de pé.

No elenco masculino, os “fiéis escudeiros”  de Aderbal, embarcam neste projeto e mergulham de cabeça. Acompanho todos desde “O Púcaro Búlgaro”, depois “Moby Dick”. Elenco de talento, talvez os melhores atores de suas gerações. Isio Ghelman impagável como a Rainha de Portugal  e perfeito como Shakespeare; Augusto Madeira brilhante como sempre, dando vida a diversos personagens entre eles o Pederasta e Manuel o provador Real; José Mauro Brant sensível e ótimo com a Velha Palhaça e Maria Pura; Rodrigo França excelente como o Cômico da Companhia de Jacinta e o assistente de inquisidor; e não menos competente, Gillray Coutinho, um mestre na arte da interpretação, genial como Coveiro e Gil Vicente levando a plateia novamente a aplaudi-lo em cena aberta, igual foi n’ “O Púcaro Búlgaro”.

Andréa Beltrão em seu melhor papel no teatro, interpreta Jacinta. A pior atriz portuguesa de todos os tempos. Andréa é uma das melhores atrizes de sua geração. Tem uma sólida carreira de brilhantes papéis no cinema, teatro e televisão. Desta vez, com sotaque português que mantém fiel durante as duas horas, ainda canta com sotaque, dança e atua com dignidade, perfeição e um talento à flor da pele. Andréa merece vários prêmios por esta dedicação à arte de representar, pelo seu talento totalmente empregado no espetáculo, por sua entrega à Jacinta. Uma das suas melhores atuações em teatro. Andréa Beltrão está em casa, está entre amigos, está feliz, está linda em cena. Uma celebração.

 

Opiniões devem ser ouvidas, lidas, mas cada um precisa ter a sua. Esta é a minha humilde, de um mero espectador sem estudo das artes dramáticas e que pode ser tendenciosa por adorar este elenco, o teatro Poeira, o diretor. Portanto, sugiro que você assista Jacinta e tenha a sua opinião sobre este espetáculo. Só assim vamos ter uma plateia isenta de pré-julgamentos, vamos formar novos espectadores para que o teatro de qualidade seja visto por um maior número de pessoas e que volte a ser uma arte auto-sustentável.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

ALÔ, DOLLY



Sempre que Bibi Ferreira diz que encenou "Hello, Dolly" fico com inveja de quem assistiu. Mas eis que leio no jornal que Miguel Falabella seria o responsável por trazer o espetáculo de volta aos palcos brasileiros e ao lado dele, Marilia Pêra. Sem duvida alguma já poderíamos esperar por um belo trabalho.

Depois de uma curta temporada por São Paulo, voltei para casa ávido por nosso teatro. Escolhi "Alô, Dolly" para quebrar este período de jejum.

A história de uma mulher, casamenteira a qualquer preço, que vive financeiramente de arranjar casamentos por aí (no caso Nova York), e que acaba por arrumar grandes confusões, é o pano de fundo do musical. Contando com uma pitada de sorte, que a meu ver é um pacto com o cupido, Dolly sem querer, e querendo, consegue formar casais que são extremamente apaixonados uns pelos outros. Dolly conversa com seu falecido marido que a tratava como rainha, pede permissão para arrumar um novo marido rico para si mesma pois sente saudades da época das vacas gordas. Claro que o amor é importante, mas para se manter viva é preciso dinheiro! As armações vão dando certo até que Dolly decide conquistar para si um bronco milionário. Acontece uma série positiva de coincidências e Dolly não só arranja de uma vez três casamentos, como leva a plateia a torcer para que ela seja a próxima a casar. Se isto acontece ao final da peça, só assistindo ao musical para saber.


A tradução e direção do espetáculo é do sempre competente e generoso Miguel Falabella. Miguel também atua como o bronco milionário. A tradução é fluente para o nosso português, com pitadas de carioquês. E não se poderia mesmo trazer a ação para o Brasil. A melhor solução foi mantê-la longe de nós, como uma história que aconteceu e que ainda merece ser contada. Miguel dirige o espetáculo com absoluta certeza do que faz. Suas marcas são naturais e lógicas. Nada escapa ao seu olhar. A fluência, dinâmica e ritmo do espetáculo é total.

O cenário de Renato Theobaldo e Roberto Rolnik é lindo. Como uma grande moldura, as cenas vão se passando entre ruas, restaurante, a loja de chapéus (perfeita!) e a loja do interior. Cenário digno do musical exibido. O figurino de Fause Haten é um caso de amor à primeira vista. Colorido, correto para a época e suave, certamente será vitorioso em alguma premiação de teatro. A iluminação de Paulo Cesar Medeiros é sempre perfeita. Destaque para as coreografias de Fernanda Chama, principalmente no balé dos garçons, com excelentes bailarinos, e a ótima direção musical de Carlos Bauzys.


No elenco, Patrícia Bueno compõe uma divertida rica-bêbada, Ricardo Pera está ótimo como o Maître do restaurante, a dupla Frederico Reuter e Ubiracy Brasil impagáveis como os funcionários da loja do interior, Ester Elias e Brenda Nadler lindas e simpáticas como vendedora e dona da loja de chapéus (respectivamente), e Thiago Machado e Alessandra Verney interpretando o casal de apaixonados.

Em cena Miguel é generoso com todo o elenco, principalmente Marília Pera. Divertido, acerta com seu sotaque mineiro do interior do Brasil, trazendo para a nossa cultura a semelhança com os broncos do interior dos EUA. Miguel é engraçado, canta bem, tem presença marcante. Miguel Falabella é uma marca de qualidade, competência e entretenimento da melhor qualidade.


E o que comentar sobre Marília Pera? Sou suspeito. Marília me hipnotiza. Não tiro os olhos dela. Mesmo não estando no centro da ação, Marília está forte no palco. Está inteira, cantando com força, fazendo a plateia rir com as armações de Dolly. Marília dá vida a um símbolo na carreira de Bibi Ferreira e traz para si a responsabilidade de marcar para sempre Dolly na sua história e na História do teatro musical brasileiro. E consegue. Marília é completa: dança, canta, interpreta. É sempre um grande prazer estar na plateia assistindo-a. Desta vez tive a sorte de sentar na fila B e pude sentir o seu perfume vindo do palco.

"Alô, Dolly" é uma das melhores peças em cartaz no momento. Se você gosta de musical, não perca. A melodia fica na cabeça e temos vontade de subir e cantar junto com todo o elenco.

http://alodolly.miguelfalabella.com/ficha.html

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Três Peças em São Paulo

Estive em SP durante 12 dias e alimentei meu vício de teatro. Assisti a 3 espetáculos:

Labutaria - Marco Luque apresenta esquetes com os melhores personagens da Terça Insana.

Chorinho - Denise Fraga e Cláudia Melo interpretam, respectivamente, uma mendiga e uma madame que passam a se reconhecer e a criar uma certa amizade, tudo depois que a mendiga aborda a madame em busca de atenção.

O Incrivel Dr. Green - comédia com músicas, onde a plástica, botox e afins são o tema. A peça tem a impagável Nany People arrancando várias gargalhadas da platéia.

Eu volto ao RJ e já preparo a agenda das peças que irei assistir para alimentar este blog e sugerir bons espetáculos para todos!

Até já!!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

GONZAGÃO, A LENDA

  


Fui assistir, sábado passado, no SESC Ginástico, ao musical “Gonzagão, a lenda”. Uma trupe de teatro,  composta só por homens, se propõe a contar a vida de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Desde o inicio, num lindo texto de abertura, os atores pedem licença às memórias, aos personagens e se desculpam pela “imprecisão dos fatos e relevantes ausências”. Uma poesia só. Desde já convida a plateia a embarcar na homenagem sincera e necessária a Luiz Gonzaga.

O texto de João Falcão, que também assina a direção, consegue armar a passagem de uma mulher sobre a trupe de homens, onde amores do passado, brigas de poderes e interesses por mulheres tornaram o grupo de atores unidos e sem a presença feminina. Aliado a isto, conseguem contar a história de Luiz Gonzaga desde menino até sua carreira de sucesso. As principais passagens da vida do cantor estão presentes na trama assim como as musicas, que também servem para contar a história dos atores incomodados e encantados com a presença da jovem atriz.

Não tenho competência para falar sobre a história de Luiz Gonzaga. Conheço varias musicas que estão no repertório da peça e confesso que me emocionei muito com o que vi no palco.

A direção de João Falcão é bastante ágil, voltada para a comédia de bom gosto, com musicas sempre muito bem interpretadas. Os atores totalmente entregues são bonecos vivos nas mãos do diretor que atinge em cheio o seu objetivo. Marcas ousadas, umas até bastante difíceis quando dois atores falam o mesmo texto, quase se confundindo, aliado a marcas leves com a linda cena de pai e filho se encontrando após o mais novo estar crescido e homem feito.

A direção de movimento de Duda Maia é também um destaque positivo no espetáculo. Lindo balé contemporâneo em cena, xaxado, xote, tudo presente. A grande sacada do espetáculo é aliar as marcas ágeis com um movimento limpo e competente, e Duda Maia faz brilhantemente.

Na equipe técnica, o cenário de Sergio Marimba criou objetos de cena lindos e bastante funcionais. A luz do grande Renato Machado é uma beleza. Usando corredores, coisa rara no teatro hoje em dia, e focos muito bem posicionados, acompanha toda a história com a competência de sempre. Além de tudo de lindo, o figurino de Kika Lopes é espetacular!!!! Lindo de mais da conta, sô! Uma belezura total e absoluta. Vai ganhar Prêmio Shell sem sombra de duvidas!

Destacou também a excelente direção musical e lindos arranjos de Alexandre Elias e os brilhantes músicos Beto lemos, Daniel Silva e Hudson Lima, Rick de La Torre e Rafael Meninão e Marcelo Guerini.

Os atores estão ótimos! Laila Garin cantando que é uma beleza! Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fábio Henrique, Paulo de Melo, Renato de Paula e Ricca Barros, todos envolvidos com o trabalho, corretos, atuais, modernos, afinados, divertidos, sérios, tudo perfeito. E, não menos importante, a grande sacada, a grande revelação é Marcelo Mimoso, com a voz idêntica a Gonzagão, emprestando todo o seu talento de músico e de ator iniciante para esta homenagem fantástica a Luiz Gonzaga. Um belíssimo achado ter Marcelo Mimoso no espetáculo.

“Gonzagão, a lenda” emociona do início ao fim, pela verdade dos atores, pelas musicas excepcionais, pelas vozes afinadíssimas, pela equipe técnica de primeira linha, pela homenagem. Um espetáculo imperdível e muito recomendado.