Se tem uma arte que me faz voltar a ser criança é o Circo.
Desde pequeno íamos muito assistir aos que chegavam no Rio e se instalavam na
Praça Onze. Agora estão na Barra e fica difícil de ir até lá. Desde a primeira
vinda do Cirque du Soléil assisti a todas as apresentações. Ali estão reunidos artistas
que, usando de sua excelente forma física, equilíbrio, desprendimento quanto
aos medos de altura, animais e de morte, fazem tudo para divertir a plateia. Me
excita também a arte de mambembar. Cada período em uma cidade. Plateias novas,
rosto novos.
Sou completamente apaixonado por palhaços. Coleciono em
casa. E tenho um sonho, que nunca contei a ninguém, mas que agora será
revelado: quando eu tiver 60 anos, vou procurar um circo e fugirei com ele
sendo um dos palhaços. Já até vi o preço na Escola Nacional do Circo, do preço
do curso de palhaço. Afinal, toda arte merece estudo!

João Fonseca, o meu diretor favorito (não escondo...),
coloca toda a sua marca no espetáculo. Bom humor, inteligência, competência e
criatividade. Destaque para a queda da bailarina do cavalo, as cenas da guerra,
a condução da trama, a reunião de todos os integrantes da “trupe” no fim da
peça cantando à capela. Tudo de bom gosto e emoção. João se cercou de uma
equipe competente. A direção musical e os músicos, a coreografia, a direção de
movimentos circenses, toda a extensa equipe merece aplausos.


Mas tenho que destacar o palhaço de Reiner Tenente. Não
existem adjetivos que possam aplaudir seu trabalho nesta peça. Uma entrega ao
personagem. Ele é “O” palhaço. Dos melhores palhaços que o circo já viu.
Apaixonado pela Bailarina, entende o amor da mocinha pelo visitante e se
conforma em ter a amizade (outra forma de amor) da sua amada. Destaca-se nas
cenas da guerra, enfrenta os problemas da trupe, anima quando é chamado a exercitar
sua arte. Canta bem pra caramba. É o grande personagem da peça, sem desmerecer
os protagonistas. Reiner Tenente compôs um palhaço, Clown, digno de prêmio. Aguarde,
garoto, chegará.
Ouvir “Ciranda da Bailarina”, “A História de Lily Brown” e “Beatriz”
num musical de teatro era um dos meus sonhos. Ontem, assistindo à peça, me
realizei por vários motivos. Circo, músicas, elenco, palhaços. Voltei a ser
criança, mergulhei neste circo e aplaudi de pé e emocionado o final do
espetáculo. É difícil, depois de assistir a tantas peças de teatro (em média
vou a 2 por semana), não achar tudo já visto, mas em O Grande Circo Místico me desliguei
de tudo que já vi e me entreguei à história. É o teatro bem feito, com paixão e
vontade de acertar e agradar ao público. Bela homenagem a Chico Buarque, belo
trabalho de equipe. Obrigado pela excelente apresentação de ontem. Aplausos de
pé.