quarta-feira, 23 de setembro de 2026

ONDE ESTÃO AS PESSOAS QUE VOCÊ AMOU


A pessoa que desaparece do convívio vai para onde? Para onde vai a alma? Porque o corpo, sabemos. 

Alma para mim é consciência com memória. E isso tudo é energia, aquela história de prótons e elétrons que costumo contar. Então, se todos somos prótons e elétrons (e as nano partículas deles), somos renováveis e vamos para algum lugar.

Posto isto, acredito, sim, que o corpo ao virar pó libera a alma para ficar gigante. Ela se espalha! Quando eu me espalho, ninguém me junta – disse a alma. 

Jefferson Schroeder teve uma sacada para escrever uma peça sobre para onde vão as pessoas depois que elas desencarnam e respondeu a dúvida com o texto da peça “Onde estão as pessoas que você amou”. Como um narrador presente, Jefferson nos conta uma história meio ficção, meio realidade, sobre um neto que recebe a ligação da avó dizendo que será seu aniversário em breve, mas que será o último. Pronto. Ele decide ir ver a avó. Está estabelecido o conflito, o drama, a pergunta da peça: Ele conseguirá chegar até a avó para saber o motivo de ser seu último aniversário? É pra responder a isto que eu quero te convencer a assistir “Onde estão as pessoas que você amou” até dia 30 de setembro no Teatro Café Pequeno, no Leblon, exatos dois minutos a pé da estação de metrô Jardim de Alah. 

O texto é ágil, comunicativo, cheio de personagens, mantendo o público ligado na história, acompanhando passo a passo da jornada do herói em busca da casa da avó. Jefferson tem um linguajar que chega em qualquer um da plateia, seja você um iletrado ou erudito.

A direção é do João Fonseca. João conduz o espetáculo sabendo dosar as 17 vozes dos personagens com forma física, movimentação cênica, comportamento, pausas e velocidade. João permite que Jefferson seja o mais simples e seguro possível em cena, num teatro onde a plateia está quase sentada no palco. É direta a conversa com o público. Jefferson conta uma história e faz do público seu cúmplice. E João sabe que trazer o público para a história é certeza de sucesso.

O cenário composto de 2 cadeiras, uma mesa e um suporte para os objetos são de Daniel de Jesus. O figurino é da sempre competente Carol Lobato – aqui cabe uma observação: Jefferson de preto permite interpretar os 17 papéis pois na nossa cabeça vestimos todos eles e, ao fim, com a roupa do astronauta temos o contraste do branco que tudo ilumina. A luz de Thiago Menezes sabe aproveitar o micro-espaço com clareza, cortes, focos e colorido. A trilha sonora também ajuda muito a emocionar e a fazer a plateia imaginar as cenas contadas.


Já vi Jefferson Schroeder fazendo um menino, uma produtora apavorada, um ajudante de investigador e até Gerald Thomas sabe de sua competência. Em “Onde estão as pessoas que você amou”, Jefferson é inteligente ao usar seus personagens criados para o Instagram – do famoso bombeiro Brian à extraterrestre ETéla, passando pela idosa fumante a personagem de Discovery Channel. A plateia vai ao delírio quando ele diz “Oh Meu Deus”. Com isso, Jefferson tem a total segurança do que nos mostra, pois já foram experimentadas as vozes com os filtros dos aplicativos de redes sociais, nos fazendo imaginar quem está falando, em qual momento e como são. É ótimo ver ao vivo Jefferson mudar da água para o vinho em menos de um segundo do sotaque de Santa Catarina para a voz rouca da tabagista, do motorista do ônibus temente à Deus a voz da avó carente. Conhecemos os personagens e juntá-los todos numa única peça é mérito que só os ótimos atores sabem fazer. Jefferson interpreta através das vozes, usa sua expressão corporal e carisma para complementar e nos fazer rir e, claro, derramar lágrimas verdadeiras. Só faltou ele cair no palco e gritar: “Sandra!”


A produção é de Thiago Menezes, Edu Rodrigues na fotografia e a Orbe Comunicação, na assessoria de imprensa.

Todos nós queremos uma segunda-chance para encontrar alguém que não está mais entre nós e “Onde estão as pessoas que você amou” nos conforta ao saber que, mesmo durante a peça, existe um mundo, igual ao nosso, onde essas pessoas todas estão lá, esperando para nos encontrar novamente.

Corra, corra, corra para o teatro Café Pequeno, pois só tem mais 2 apresentações neste teatro. Vá abraçar os tantos personagens que conhecemos do Jefferson, as dublagens perfeitas, os videos, a história que nos conforta e a comunicabilidade de um espetáculo feito para o público. Todos saímos felizes e agradecidos. Uma peça para toda a família. Compre seu ingresso pois não há patrocinadores. Ainda. Viva Jefferson, viva o teatro! Aplausos de pé.


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