terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

S'IMBORA O MUSICAL - A HISTÓRIA DE WILSON SIMONAL


A onda de musicais biográficos que lotam os teatros brasileiros é a melhor novidade dos últimos anos na cena teatral. Nomes como Tim Maia, Elis, Rita Lee, Cazuza, Chacrinha, e futuramente Beth Carvalho, estão se tornando programa obrigatório de uma classe que até bem pouco tempo não frequentava o teatro. Ouso dizer que surgiu um novo gênero no teatro brasileiro: o Teatro Musical de Entretenimento.

Penso positivamente neste novo gênero. Primeiro, e o mais importante, apresentar a quem não conhece, a história de um artista brasileiro. Segundo, levar ao teatro a “nova classe C”, que até bem pouco tempo considerava teatro supérfluo. Terceiro, abrir nova frentes de trabalho para profissionais do teatro.

Pelo lado econômico, estamos vendo empresários de entretenimento investindo em espetáculos teatrais. Pelo lado do público, a plateia pouco está se importando se o texto é dramaturgicamente bom, correto, ou de acordo “com as normas técnicas de se produzir um musical”. Somando “o que vale é a diversão” da plateia com o lucro do patrocínio e da bilheteria dos empresários, temos o casamento perfeito. Que venham outros.

Está no Teatro Carlos Gomes a ótima homenagem ao cantor Wilson Simonal. O Musical de Entretenimento “S’imbora, o Musical – a história de Wilson Simonal” tem texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade, dupla que nos deu o texto da peça Tim Maia. A história começa já com Simonal adulto, em depoimento numa delegacia sobre o sumiço de seu contador. Pausa nesta história e seguimos para o início da carreira do cantor. Nada nos é dito sobre sua infância, de onde veio, como começou a cantar, suas referências musicais. Tudo bem, isto não é um Globo Reporter. A carreira artística de Simonal é a história a ser contada, desde sua primeira apresentação no programa de Carlos Imperial, passando pelo Simonal que se tornou showman lotando o Maracanã até chegar à desconfiança em cima das supostas “delações premiadas” (para usar um termo atual) de colegas artistas. Fica claro que não houve delação alguma, apenas um depoimento assinado, sem ler, e que um grupo interpretou da forma que quis, espalhou e destruiu a carreira do cantor.

No palco, o cenário de Helio Eichbauer está preparado para números musicais e não para pequenos ambientes. Não temos uma ambientação de casas, mas pequenos móveis que servem para contar a história. O figurino de Marília Carneiro é ótimo! Colorido, leve, totalmente de acordo com a época. Destaque para as 3 cantoras que acompanham o tempo todo Carlos Imperial e fazem coro para Simonal e as cópias fiéis das roupas do protagonista. A luz de Tomar Ribas é muito boa, acertando nos momentos de tensão e alegria. A direção de movimento e coreografia de Renato Vieira é positiva e auxilia o diretor na história.

Ótima a direção musical de Alexandre Elias, com parceria nos arranjos de Max de Castro (filho de peixe...), que não poderia ser melhor escolhido para a tarefa. Aplausos para os músicos.

O elenco numeroso tem o mérito de ser experiente e com bagagem. Thelmo Fernandes faz um Carlos Imperial bastante extrovertido. Gabriela Carneiro da Cunha faz muito bem Tereza, mulher de Simonal, com quem teve dois filhos. Seus monólogos direcionados para a plateia são excelentes. Destaco ainda o trio de “Supremes” – Imperialetes – formado por Cassia Raquel (que interpreta Sara Vaughan divinamente) Ariane Souza, cuja presença no palco é ótima e faz um número de plateia delicioso, e Lívia Guerra, tão talentosa e importante quanto as duas já citadas. Compondo o elenco numeroso de cantores e atores, Marino Rocha (ótimo Jô Soares), Kadu Veiga, Kotoe Karasawa (linda voz e afinação), Paulo Trajano, Marina Palha, Jorge Neto (muito bom em Simoninha), Victor Maia, Dennis Pinheiro, Gabriel Stauffer e Natasha Jascalevich. No dia que assisti, Jg D’Aleluia interpretou Simonal criança e Simoninha.

Pedro Brício é o diretor. Conduzir esta história não é tarefa fácil e Pedro consegue um resultado ótimo. Temos vistos atores “incorporando” os homenageados nos outros musicais de entretenimento, mas aqui, a opção por ser uma interpretação em vez de “incorporação” é totalmente acertada. E é este o diferencial deste musical. O trabalho do ator, especificamente do protagonista, veio em primeiro lugar. Destaco a cena das Imperialetes falando ao telefone com Simonal (alias, se pudesse sugerir algo, seria isto: use-as mais! Elas poderiam contar esta história!). A linda cena do Simonal dirigindo na praia de Copacabana e o brilhante número musical em que Simonal interpreta a mesma música ora no programa Fino da Bossa, ora no programa da Jovem Guarda.

Ícaro Silva nos apresenta Wilson Simonal, numa intepretação-homenagem, sem a necessidade de ser exatamente Simonal. Ícaro além de ser ótimo cantor, é, acima de tudo, ótimo ator. Seu trabalho é digno de aplausos pela coragem de viver Simonal sem a necessidade de “receber um santo”. Nas cenas em que tem que se desdobrar entre Elis e Roberto Carlos, quando ensina o jovem cantor mineiro (Eduardo Araújo) a ser um carioca e na brilhante cena de Simonal bêbado e derrotado, está ali o grande ator que Ícaro é. Acompanho sua carreira e, desde que nos mostrou a sua forma de ser Jair Rodrigues em outro musical, sabia que viria um bom resultado em Simonal.  Ícaro não decepciona. Está à altura do talento do homenageado.


Ufa! Quanta coisa escrita. Se você chegou até aqui, s’imbora já pro teatro assistir a este musical em homenagem ao esquecido Wilson Simonal. Justiça seja feita e que ele receba todo nosso aplauso. Viva a Planmusic, viva toda equipe e viva Simonal!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PERDAS E GANHOS



A notícia veio um ano antes: retorno do câncer. Não sabíamos o tamanho do problema nem o tempo que ia durar. Acompanhamos a ida aos médicos, a busca pelo melhor, a esperança da cura, a certeza de que ela não viria, o prolongamento da convivência e, por fim, torcemos para que não houvesse sofrimento. O sofrimento foi nosso. Aos poucos, nosso pai, marido, foi nos deixando de várias maneiras: perdeu a força física, depois ignorou o dia a dia, por fim nos comunicávamos pelo olhar apenas. Sabemos como foi sofrido e dolorido.

Ao saber pela imprensa a história similar da família de atores que tanto admiro, acompanhamos a força do amor e do carinho. Mesmo sabendo que a esperança da vida era remota, a certeza da eternidade os permitiu continuar a viver. Sabemos como foi sofrido e dolorido perder Paulo Goulart. Mesmo não fazendo parte daquela família, a semelhança com o que sofremos nos deu solidariedade, lágrimas e abraços imaginários.

Está em cartaz no Teatro do Leblon, “Perdas e Ganhos”, compilação de Beth Goulart para textos dos livros “Perdas e Ganhos” e “O Silêncio dos Amantes”, ambos de Lya Luft. O primeiro livro colabora com as palavras e reflexões. O segundo colabora com 3 histórias que cabem muito bem para ilustrar as reflexões do primeiro livro, sobre vida, morte, esperança, futuro e envelhecimento. A seleção de passagens dos dois livros não poderia ter sido mais acertada. As três histórias são: a mãe que espera o retorno de um filho desaparecido, a mulher madura que descobre a sexualidade e a esposa que dá a volta por cima após a traição. Perdas e Ganhos.

O cenário muito bem realizado de Ronald Teixeira é o necessário para compor as três histórias e dar espaço para a direção brincar com as palavras do texto. Além disso, as excelentes projeções dos craques Renato e Rico Vilarouca “decoram” o cenário, ampliando a força de cada história. Destaque para o início e o fim da peça, quando a projeção nos dá a impressão de movimento da atriz, caminhando em busca de algo. E o lindo fundo azul com nuvens. Fantástico também o pequeno filme sobre a mulher madura que descobre sua sexualidade, com interpretação silenciosa genial de Nicette. O figurino é confortável e a luz de Maneco Quinderé não podia ser mais bonita.

Beth Goulart dirige o espetáculo segundo a linha do seu sucesso “Simplesmente eu, Clarice Lispector”. Diga-se aqui, que é uma comparação positiva. A direção é muito delicada nos momentos dos monólogos do livro Perdas e Ganhos e firme nos momentos das histórias. Ótimo trabalho de entrega da filha para o brilho da mãe. Da experiente atriz mais nova, para a experiente atriz madura. É um dos trabalhos de direção mais delicados e amorosos que já vi.

E Nicette... qualquer palavra cairá no lugar comum. Lembro quando a levamos para participar do Lê pra Mim? no Forte de Copacabana, o abraço que recebi, o beijo e o carinho. É isto que Nicette nos apresenta no palco. Ela nos abraça com sua sabedoria, nos beija com palavras e a alegria de estar ali. Ao nos fazer refletir com o texto, nos presenteia com o carinho de mãe, avó, esposa, mulher. Obrigado Nicette.


Desde o off de abertura, com Paulo Goulart pedindo para desligarmos o celular, até o último aplauso, foi difícil segurar as lagrimas. Pela semelhança do que passamos em família, pela força de ver que ainda existe vida a ser vivida após a perda. O discurso final do espetáculo é exatamente o que sigo diante da perda de um amigo ou parente: temos que viver como ele/ela gostaria que vivêssemos se ainda estivesse entre nós. Temos que lembrar dos momentos bons e saber que em breve vamos nos encontrar novamente. Estamos vivos e, portanto, que façamos da lembrança a energia positiva para continuarmos o caminhar (como diz o programa) "com ternura, amizade, compaixão, ética e delicadeza.” Espetáculo obrigatório.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

AGNALDO RAYOL, A ALMA DO BRASIL


Tive o prazer de homenagear uma grande amiga quando, junto com a diretora Joana Lebreiro, adaptamos para o teatro o livro “Não se fazem mais avós como antigamente”, que virou “Avós, mulheres e couves portuguesas”. A vida da Nana Pirez estava ali no palco. Ela se recusou a ver ensaios. Nos deu carta branca. Foi na estreia que Nana se deparou com sua vida no palco. Fiquei observando sua reação ao logo da récita. Ela, impávida, sem derramar uma lágrima. Atenta. Ao final, não consegui chegar perto. Chamada ao palco, falou pouco e agradeceu. Eu só consegui um beijo rápido, pois tive que resolver assuntos de produção.

Combinamos, então, nos encontrar depois, no restaurante. Lá, ela me recebeu – agora sim – de braços abertos e lágrimas nos olhos. Só nós dois. Abraçados e chorando felizes. Um dos momentos mais felizes da minha vida. E dela, certamente.

Está em cartaz no teatro do Centro Cultural Correios o musical Agnaldo Rayol, A Alma do Brasil, em homenagem ao cantor. Figuras importantes da história da MPB virando espetáculos musicais está na moda. Sou totalmente favorável a este novo formato brasileiro de fazer musicais. Aos jovens é permitido conhecer quem foi, e ainda é, referência. Aos demais, os bons tempos voltam. O mais importante deste musical é que Agnaldo Rayol está vivo, cantando e ainda emocionando as plateias por onde passa.

O texto da consagrada Fátima Valença, expert em escrever sobre a Éra do Rádio para musicais, é um apanhado dos melhores e mais importantes momentos da carreira do cantor. Pouco ficamos sabendo sobre sua vida pessoal. Os paparazzi de plantão e as revistas de fofoca arrancariam os cabelos por causa disso, mas ao público interessa saber, relembrar e fixar o valor do cantor na história do Brasil. Não me interessam as fugas amorosas muito menos suas dividas, se é que as teve, desde que sua voz continue adoçando a vida dos brasileiros.

O cenário e figurino do sempre competente Flavio Graff estão à altura do homenageado. Cortinas de renda que permitem projeções, roupa de época, com glamour, bem confeccionadas. A luz de Felipe Lourenço é bonita e auxilia bastante na condução da história, uma vez que o teatro tem um palco pequeno. Mérito grande a Direção Musical de Marcelo Alonso Neves, craque nos arranjos e interferências sonoras, muito bem reproduzidas pelos músicos.

A direção de Roberto Bomtempo é muito boa. Atento para os momentos exatos de emoção nos números musicais, intercalados com a história da Agnaldo, e rígido nas composições dos personagens evitando exageros. A cena de Hebe Camargo com Agnaldo Rayol é emoção pura.

Stella Maria Rodrigues está brilhante em cena. Sua interpretação de Hebe Camargo é um achado! Não é uma imitação nem muito menos uma incorporação, é uma interpretação-homenagem, que faz toda a diferença, positivamente falando. Sem contar seus números musicais. Sua afinação e nuances vocais. Um show.

Mona Vilardo e Fabricio Negri, cada um ao seu momento, otimos em cena, com competência e respeito aos personagens. Também competents quando cantam, muito bem preparados e de altíssimo nível.

E, não menos importante, Marcelo Nigueira é o próprio Agnaldo Rayol em cena. Canta tão bem quanto o original. Aplausos de pé em vários momentos, pela sua competência vocal e atuação. No dia da estreia, segurar a emoção como ele fez ao entregar uma rosa para o próprio Agnaldo Rayol, durante a peça, e não perder o rumo do personagem, é para poucos.

Entendo o empenho do Marcelo, também produtor,  em promover a homenagem, a esperar o tempo certo para realizar um projeto de qualidade e, por que não, um sonho. São poucos os artistas, da época de Agnaldo Rayol, já homenageados em cena. Cauby e Orlando Silva viraram teatro. Rayol era merecedor e Marcelo faz com elegância esta justa homenagem.

Temos que mostrar a importância dos ícones da Musica Brasileira da Era do Rádio. O  Brasil é um pais sem memória e estas não podem morrer.


Na estreia, Agnaldo Rayol estava presente. Plateia, homenageado, equipe e atores emocionados. Lágrimas e aplausos para “Agnaldo Rayol – A Alma do Brasil”, ótimo e competente musical que o Centro Cultural Correios nos presenteia.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

NÔMADES


Faz quase 3 anos que perdi uma das mais importantes amigas que tive até hoje. Ela, com 77, nos deixou como disse que seria: sem dar trabalho. É ruim viver sem sua voz rouca ao telefone, sem seus comentários certeiros, sem suas baforadas de cigarro, sem suas observações do dia a dia. Com ela aprendi a “olhar o passado com os olhos do passado, não com os olhos de hoje”.

Nãna sempre foi atual. Moderna, à frente de todos os tempos. Quando partiu, sem autorização nossa, sem dizer adeus, me senti o mais órfão dos amigos. Não briguei com ela por sua ida, por me deixar aqui sem respostas e sem seu bacalhau na mesa de plástico da quitinete de Copacabana. Sabíamos que era este seu desejo: descansar em paz. Assim, nos confortamos. Até hoje ouço sua voz com o leve sotaque português ao pé do telefone: “Adivinha quem é?”. Sua rouquidão era inconfundível.
Acredito que a energia gerada por quem partiu continue presente, de outra forma. Hoje, sinto a presença da minha Nãna em pequenas frases que digo, situações que vivo e objetos pessoais dela que guardei. Minha única tristeza é a falta de notícias. O não poder vê-la (por enquanto) me deixa triste. Um dia resolveremos isto!

Está em cartaz no Teatro Poeira e peça Nômades. O texto escrito por Márcio Abreu e Patrick Pessoa, com colaboração das três atrizes e de Newton Moreno, explora as fases em que passamos desde o momento do trauma da notícia da morte, a raiva pela perda do amigo, a tristeza por sua ausência “para todo o sempre”, a dor da imensa saudade, até a consciência de que a vida continua. As personagens são atrizes que contam para a plateia alguns encontros, convivências, dia a dia, com a amiga que morreu de repente. A peça começa com uma belíssima despedida das três, no enterro da quarta amiga. A seguir uma sucessão de sentimentos, situações e catarse faz com que o público se una às três amigas, dilaceradas pela dor da perda, e façam uma viagem ao fundo do poço com elas, para que, todos, público e atrizes, saiam do buraco e celebrem a vida e a amizade.

Senti falta das amigas contarem como conhecer a falecida as transformou. Como eram antes e como ficaram depois da chegada da amiga por suas vidas? Nãna mudou minha forma de falar, de observar o mundo. Nãna me orientou, trocamos confidências que me foram (e ainda são) úteis ao meu dia a dia social. Somos a reunião de características de nossos amigos, parentes e personalidade própria. Ao conhecer alguém novo, que fica na nossa trajetória, algo desta pessoa é incorporado em nossa personalidade. O que ficou em cada uma das personagens?

O cenário e os objetos de Fernando Marés são de bom gosto e bem bolados. Destaque para a parede vermelha de portas que servem para as trocas de roupas das atrizes e mostrar que ao se fechar uma porta (morte), outra se abre para a vida. O figurino de Cao Albuquerque e Natália Duran é muito elegante e de acordo com a proposta da peça. A iluminação envolve todo o espetáculo com momentos de intimidade e exaltação necessárias ao texto. A direção musical de Felipe Storino faz a catarse necessária para que as dores possam ser expurgadas.

Marcio Abreu dirige a peça sabendo dosar os momentos de tristeza, tensão e gargalhadas com a exatidão para cada momento. Destaque para as interpretações individuais das amigas cantando e para as conversas em torno do sofá e mesa de centro. O discurso de agradecimento no velório é uma das cenas mais bonitas que vi recentemente em teatro.

Amigas. Esta é a melhor definição para Andreia Beltrão, Malu Gali e Mariana Lima no palco. Cumplices, generosas, colegas, profissionais e, acima de tudo, amigas. Cada uma sabendo seu momento de brilhar e auxiliando a amiga a ter seu estrelado aplaudido. Uma reverência à amizade. As três mostram ao público porque fazem parte do seleto grupo das melhores atrizes brasileiras. É um prazer vê-las no palco tão à vontade e, ao mesmo tempo, tão concentradas em seus trabalhos.

Com produção de José Luiz Coutinho e Wagner Pacheco, Nômades é uma celebração da vida. Choramos, rimos, nos solidarizamos com a perda das amigas em cena. A mensagem do espetáculo foi a escolha, das três, pela vida, pelo “seguir adiante em memória aos bons momentos em que todas viveram juntas”.

E é com esta celebração da vida (que não me canso de exaltar nesta peça) que recomento a todos que assistam este espetáculo para que possam lembrar dos amigos que se foram, fazer um pensamento positivo para, onde quer que estejam, olhem por nós. E que possamos seguir adiante em nossa história, até quando pudermos encontrar nossos amigos novamente. Viva a vida! viva Nômades!